Nas
palestras realizadas nesta quarta-feira (19) na Conferência Internacional de
Educação da CNTE, os professores Emir Sader, Miguel Arroyo e Rubens Barbosa de
Camargo chamaram a atenção para os aspectos ideológicos no trabalho
educacional. “Os debates tem sido bastante proveitosos”, constata a
coordenadora geral do SINTE-RN Fátima Cardoso.
Discorrendo
sobre o papel do Estado e da Educação o professor Emir Sader – doutor em
ciência política, professor da UERJ e secretárioa executivo do Conselho
Latino-americano de Ciências Sociais – defendeu que os conceitos de estado de
ideologia e de alienação não estão ultrapassados. Educação é para dar
consciência social e consciência cultural.
“A
América Latina é propulsora do projeto de outro mundo é possível. Mas o
capitalismo não acaba por si só. O imperialismo no mundo tem uma hegemonia que
entra nas sociedades com os valores de consumo. Mas ainda assim se importa o
consumismo Norte Americano”, disse.
Sader
falou também do poder da verdade midiática e afirmou que é preciso trazer a
mentira para apreciar e levar a verdade. “O papel da Educação é determinante
nesta luta pela verdade e pela desalienação dos sujeitos”, enfatizou.
O
professor Miguel Arroyo, doutor em Educação e professor titular emérito da
Faculdade de Educação da UFMG, destacou os movimentos populares como os
verdadeiros contribuidores para as indagações pedagógicas.
“O
movimento operário foi um pedagogo de si mesmo, desde o século XXI com a busca
da humanização do trabalho. O trabalho como princípio educativo por Gransmici,
o trabalho com Marx vem antes da pedagogia nossa. Todos os movimentos trazem
para nós a função de educadores e dos pedagogos. A grande pergunta é: eu estou
continuando este trabalho dos movimentos gerais? A pedagogia não vem só da
escola, mas das massas”, comentou Arroyo.
De
acordo com o professor o movimento docente é para fora da escola. “Para dentro
da escola o conteúdo assevera a humanização, o direito e todas as
manifestações. Este é o currículo necessário a formação do homem”, concluiu.
O
professor Rubens Barbosa de Camargo, doutor em Educação e professor da USP,
criticou o sistema de avaliação. “Nem os estudantes querem nem os professores.
Do ponto de vista ideológico o sistema de avaliação precisa ser mais veemente
combatido. Para as elites a escola publica não é obra, para nós e para a classe
trabalhadora a escola pública é a nossa obra”, disse.
Ele
enumerou que o estreitamento curricular, a competição entre profissionais e a
escola, a diminuição da cooperação do trabalho pedagógico, a competição, a
compra de sistemas de ensino, o aumento da segregação socioeconômica dentro da
escola, além da precarização do trabalho e da destruição moral do professor são
uma ameaça para a noção de democracia. “Tudo isso são pontos forte dos sistemas
de avaliação vigentes”, criticou.
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