segunda-feira, 24 de setembro de 2012

DEBATEDORES CHAMAM A ATENÇÃO PARA OS ASPECTOS IDEOLOGICOS NO TRABALHO EDUCACIONAL


Nas palestras realizadas nesta quarta-feira (19) na Conferência Internacional de Educação da CNTE, os professores Emir Sader, Miguel Arroyo e Rubens Barbosa de Camargo chamaram a atenção para os aspectos ideológicos no trabalho educacional. “Os debates tem sido bastante proveitosos”, constata a coordenadora geral do SINTE-RN Fátima Cardoso.

Discorrendo sobre o papel do Estado e da Educação o professor Emir Sader – doutor em ciência política, professor da UERJ e secretárioa executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais – defendeu que os conceitos de estado de ideologia e de alienação não estão ultrapassados. Educação é para dar consciência social e consciência cultural.

“A América Latina é propulsora do projeto de outro mundo é possível. Mas o capitalismo não acaba por si só. O imperialismo no mundo tem uma hegemonia que entra nas sociedades com os valores de consumo. Mas ainda assim se importa o consumismo Norte Americano”, disse.

Sader falou também do poder da verdade midiática e afirmou que é preciso trazer a mentira para apreciar e levar a verdade. “O papel da Educação é determinante nesta luta pela verdade e pela desalienação dos sujeitos”, enfatizou.

O professor Miguel Arroyo, doutor em Educação e professor titular emérito da Faculdade de Educação da UFMG, destacou os movimentos populares como os verdadeiros contribuidores para as indagações pedagógicas.

“O movimento operário foi um pedagogo de si mesmo, desde o século XXI com a busca da humanização do trabalho. O trabalho como princípio educativo por Gransmici, o trabalho com Marx vem antes da pedagogia nossa. Todos os movimentos trazem para nós a função de educadores e dos pedagogos. A grande pergunta é: eu estou continuando este trabalho dos movimentos gerais? A pedagogia não vem só da escola, mas das massas”, comentou Arroyo.

De acordo com o professor o movimento docente é para fora da escola. “Para dentro da escola o conteúdo assevera a humanização, o direito e todas as manifestações. Este é o currículo necessário a formação do homem”, concluiu.

O professor Rubens Barbosa de Camargo, doutor em Educação e professor da USP, criticou o sistema de avaliação. “Nem os estudantes querem nem os professores. Do ponto de vista ideológico o sistema de avaliação precisa ser mais veemente combatido. Para as elites a escola publica não é obra, para nós e para a classe trabalhadora a escola pública é a nossa obra”, disse.

Ele enumerou que o estreitamento curricular, a competição entre profissionais e a escola, a diminuição da cooperação do trabalho pedagógico, a competição, a compra de sistemas de ensino, o aumento da segregação socioeconômica dentro da escola, além da precarização do trabalho e da destruição moral do professor são uma ameaça para a noção de democracia. “Tudo isso são pontos forte dos sistemas de avaliação vigentes”, criticou.

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